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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Coisa de Leitor: Hidromel

A bebida mais antiga do mundo. O tão falado néctar dos deuses, saúde!

Homens bebem e festejam aos goles de hidromel.

Que elfo, anão, hobbit ou homem nunca ouviu falar em hidromel? É provavelmente a bebida mais narrada em histórias de Robin Hood, Merlim, Hércules e outras figuras mitológicas ou lendárias, muito recorrentemente citada em obras de J. R. R. Tolkien, George R. R. Martin, J. K. Rowling, Bernard Cornwell, Patrick Rothfuss, Christopher Paolini, Kristin Hannah, Rick Riordan, Mary Stewart e outros. Caso você tenha acabado de sair de uma caverna ou túnel temporal vou lhe apresentar essa maravilha líquida.

Hidromel é uma bebida alcoólica fermentada à base de mel e água. Consumida desde a antiguidade (aproximadamente 10 mil ano!), a fabricação é anterior à do vinho e à da cerveja. Embora muitos entendam que os egípcios foram os "criadores" da bebida por terem dominado a técnica de criação de abelhas, foram os povos da Escandinava, Normandia e antiga Germania que fizeram da bebida o que ela é hoje, sua disseminação pela Europa se deve muito aos vikings em suas expedições (valeu homens, Odin os honre!).


Na mitologia nórdica, há uma história que liga a origem do hidromel ao pacto de paz selado entre os deuses Aesir e Vanir, que para simbolizarem a paz, jogaram gotas de seus sangues em recipiente que deu origem a Kvasir, o deus do conhecimento. Este deus, contudo, acabou sendo assassinado por dois anões chamados Fjalar e Galarr que cobiçavam a sua sabedoria. Durante a noite, enquanto dormia ao pé de uma árvore, o deus foi apunhalado pelos dois perversos irmãos, tendo seu sangue sido recolhido por eles e colocado num caldeirão. Tão logo chegaram em casa, misturaram o sangue de Kvasir a uma porção de mel e o fermentaram até obter uma saborosa porção, bebida mágica que conferiria o dom da poesia, a capacidade de galantear as mulheres em público e ignorar durante certo tempo, cortes e até perfurações em combate, as vezes concedendo o dom de ver os deuses, valquírias e até fazer profecias. E assim se deu origem da bebida, que ficou conhecida também como o “néctar dos deuses”. A bebida foi ainda roubada por Odin, após uma invasão ao Reino dos Anões, levando o hidromel para Asgard para evitar que tal poder fosse usado contra os deuses.

Outros que utilizavam o hidromel eram os saxões e celtas. Durante as cerimônias religiosas, a bebida era servida por acreditarem que o hidromel possuía efeitos afrodisíacos. Durante cerimônias de casamento, as núpcias, a bebida era servida à todos e até crianças, e ofereciam aos noivos um barril de hidromel que deveria ser consumido pelos nubentes durante todo um ciclo lunar para auxiliar a fertilidade. Alguns poetas da época narram que as noivas era banhadas de hidromel para deleite dos noivos. Esse hábito deu origem ao termo “Lua de Mel”.

E agora quero dividir com vocês minha experiência pessoal com essa bebida. 


 

Adquiri recentemente dez litros de hidromel tradicional, feito na maior colônia de imigrantes alemães no Brasil, a bebida veio em um barril de carvalho branco europeu, considerada a melhor forma de armazenar e envelhecer bebidas desde a antiguidade. Me preocupei com isso pois gostaria de ter uma experiência autêntica de como Frei Tuck, Gimli ou Ragnar Lothbrok bebiam. A bebida foi armazenada há dois meses (prazo mínimo aconselhado pra emadeirar), levou cerca de três semanas e meia para ser entregue, o que acabou sendo algo bom para melhorar a experiência. Quando chegou mal pude me conter de alegria e expectativa, aguardei chegar a noite pois se recomenda apreciar a bebida numa temperatura entre 8º e 10º C não sendo indicado armazenar em geladeira. Junto com a bebida ainda veio um corno (sim o nome é esse mesmo), aquele famoso copo feito com chifre de bovinos (e diga-se de passagem excelente acabamento tanto o copo quanto o barril, valeu a pena). Higienizei o copo como recomendado, fiz até a oração e honra da bebida e SKOL!!! Simplesmente fantástica, senti uma leve mudança no humor e na sensibilidade do corpo, muito encorpada e doce lembrando um vinho tinto, o teor alcoólico (22,8%) me surpreender por não "descer rasgando" o que gostei bastante, mas requer uma atenção para não "ser pego pelo chifre". Não me permite tomar mais que considerei seguro para evitar ressaca. Logo em seguida comecei a cantar a música d'As 12 Virgens, a Festa do Hidromel e os poemas do Tolkien sobre beber. E depois disso tudo posso dizer. O que dizem por aí sobre hidromel. É tudo verdade!


Espero que tenham gostado desta postagem. Recomendo a experiência. Abraço e até a próxima!
Skol!


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